segunda-feira, 14 de maio de 2012

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, O INÍCIO (Crítica) Na estante

Ficha Técnica 

Título Original: The Texas Chainsaw Massacre: The Beginning 

Ano do lançamento: 2006 

Produção: EUA 

Gênero: Terror 

Direção: Jonathan Liebesman 

Roteiro: Sheldon Turner, Sheldon Turner, David J. Schow 

Sinopse: Thomas Lewitt (Andrew Bryniarski) nasceu em um parto complicado, no chão de um abatedouro no Texas. Ele é salvo por Luda Mae Hewitt (Marietta Marich) e passa a ser criado também pelo xerife Hoyt (R. Lee Ermey), Montgomery (Terrence Evans) e Henrietta. Thomas tem uma vida violenta, repleta de abusos físicos e emocionais, o que o faz se tornar o assassino Leatherface ao crescer. Quando dois jovens a passeio com suas namoradas se perdem, ele se tornam suas primeiras vítimas. 

Por Emanoel Achiles 
Uma ode ao fracasso 

Edward Theodore Gein (mais conhecido como “Ed Gein”) foi julgado culpado pela morte de duas mulheres no final da década de 60, depois de anos de tratamento psiquiátrico. A fama em torno do caso alimentou as suspeitas de que Ed fosse, na verdade, um serial killer, que pode ter assassinado pelo menos outras cinco pessoas, incluindo o próprio irmão. De toda forma, a brutalidade que marcou o caso de descoberta de uma de suas vítimas chocou a sociedade norteamericana e o mundo. Ed Gein era canibal, necrófilo, destrinchou uma de suas vítimas como se esta fosse um animal e praticava rituais bizarros com o corpo e a pele delas. 

O perfil do assassino e sua vida inspirariam personagens na literatura e no cinema, incluindo aqui Hannibal Lecter, de “O silêncio dos inocentes”, Norman Bates de “Psicose”, de Hitchcock, e Leatherface, de “O massacre da serra elétrica”, e, porque não, sua mãe parece ter inspirado o perfil da mãe de “Carrie, a estranha”, de Stephen King — sabe-se que a mãe de Ed, Augusta Gein, era uma religiosa fanática que não deixava ninguém interagir com os seus filhos: impedia qualquer tentativa dele para ter amigos e pregava neuroticamente o antigo testamento para os filhos. 

Destes filmes citados, “O massacre da serra elétrica” (The Texas Chainsaw Massacre, de Tobe Hooper, 1974) ganhou uma — interessante — refilmagem em 2003, produzida por Michael Bay e dirigida pelo então diretor de vídeo clipes Marcus Nispel (que mais tarde traria de volta outro personagem conhecido dos fãs do gênero de horror, o Jason de “Sexta-feira 13”). Nispel, sem ofender o original, criou um filme redondo, com estilo apurado (se uniu a sua linguagem vídeo clipada com o diretor de fotografia que era o mesmo do filme de 1974), com ritmo e tensão intensos, bem conduzido, e que, apesar de manter os clichês do gênero, obteve nas bilheterias relativo sucesso. Não tardou para os produtores correrem atrás de uma continuação em busca de faturamento — e desta corrida nasceu o fracassado, idiota e ordinário “O Massacre Da Serra Elétrica, O Início”. 

Numa tentativa de contar a história anterior ao mostrado no filme de Nispel e a origem do assassino, “O Massacre da serra elétrica, O Início” é tenebroso. Não no sentido de que o filme causa medo e funciona como horror, mas no fato de ser uma péssima e malfadada continuação — ou melhor, prequel — de um filme razoavelmente melhor. No filme, Thomas Lewitt (Andrew Bryniarski) nasceu em um parto complicado, no chão de um abatedouro no Texas. Ele é salvo por Luda Mae Hewitt (Marietta Marich) e passa a ser criado também pelo xerife Hoyt (R. Lee Ermey, muito bom), Montgomery (Terrence Evans) e Henrietta. Thomas tem uma vida violenta, repleta de abusos físicos e emocionais, o que o faz se tornar o assassino “Leatherface” ao crescer. 

Quando dois jovens a passeio, Dean (Taylor Handley) e Eric (Matt Bomer), com suas namoradas Bailey (Diora Baird) e Chrissie (Jordana Brewster) se perdem e sofrem um acidente, eles se tornam suas primeiras vítimas. Para começo de conversa, o filme é dirigido por Jonathan Liebesman – dos fracassados “Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles” e do mais recente fracasso “Fúria de Titãs 2” e isso não é ruim, é péssimo. 

Liebesman fracassa em tudo que coloca o dedo e é um problema de falta de talento que deveria ser eliminado da indústria cinematográfica — ou, ao menos, não deveriam destinar a ele grandes orçamentos, como no caso de “Fúria de Titãs 2”. Ele não sabe criar um clima de tensão se o filme pedir, como é o caso aqui. Os filmes dele parecem ter um estilo predominante de fotografia suja, porca, que, grosso modo, parece que nunca funciona na tentativa de se criar uma atmosfera sufocante. Ele não sabe dirigir atores, não sabe como posicionar sua câmera para obter resultados ao menos satisfatórios de interpretação do elenco (R. Lee Ermey, calejado, é a única coisa que se salva). 

Aliás, em termos de elenco, temos aqui exemplares de quinta categoria: os atores jovens parecem que foram escolhidos apenas por ficarem bonitos na tela, porque em termos de atuação, acabam contribuindo para o fracasso total da produção. Jordana Brewster é o caso mais gritante: ela é péssima. Ela não consegue passar emoção alguma em nenhum momento, porque sua ideia de “pânico e de horror” é ficar de olhos arregalados o tempo todo. O mesmo vale para a loira Diora Baird, cujo destino é apenas gritar e passar o filme todo amarrada em uma cama (menos mal). Os dois rapazes com cara de modelos de grife estão lá apenas de enfeite, porque não há motivos para se importar com eles. É material dispensável do roteiro. 

Aliás, o roteiro possui buracos berrantes e cria situações tão incoerentes no filme que chega a chocar o espectador. Sim, temos aqui um filme que choca não pelo horror que deveria causar, nem pelo banho de sangue e pelas sessões de torturas (mal filmadas) que seus personagens são submetidos, mas pelas situações desequilibradas criadas pelo roteiro. 

Um exemplo disso está na sequência próxima do final, em que a personagem Chrissie foge da casa depois de um jantar macabro, deixando para trás seus dois amigos (o loiro Dean, desmaiado sobre a mesa, e Bailey, que está morta depois de ter seu pescoço cortado) e acaba encontrando um abatedouro abandonado, para se esconder de Leatherface. 

Ocorre que Dean sai do estado de transe em que estava e, embora tivesse a oportunidade de matar seu opressor (o xerife Hoyt de Lee Ermey, que passou cerca de quarenta minutos no filme torturando-os) e sabendo que sua namorada foi assassinada (o cadáver dela é a primeira coisa que ele vê depois de voltar do transe), não o faz, mesmo com todas as possibilidades em mãos. Para completar, Dean surge do nada no abatedouro, para salvar Chrissie de uma investida do vilão — e o roteiro não explica como Dean sabia que ela estava lá nem o motivo pelo qual foi para lá, já que Chrissie saiu da casa e entrou no abatedouro sem ele ver. Acaba morrendo pelo seu maior pecado — a burrice. 

Pior: o cenário foi usado para cena semelhante no filme anterior, uma prova da falta de criatividade dos envolvidos na produção. Há ainda várias cenas gratuitas (a que o vilão corta com a sua serra as pernas de um familiar é a mais desnecessária do roteiro) e o fato de que Leatherface é atacado várias vezes por armas brancas (tanto por Chrissie quanto por Dean), mas continua andando e correndo normalmente, transformando-se numa espécie de “entidade” indestrutível tal qual Jason da série “Sexta-feira 13” — algo que não funciona dentro da proposta realista do filme. Não dá para falar também do personagem motoqueiro, que aparece rapidamente em um pedaço do filme e depois invade a casa “atrás de sua garota”, apenas para ser serrado vivo no meio numa sequência desprovida de terror. 


Não é spoiler algum dizer que o roteiro, nos momentos finais do filme, mata a heroína. É sim um erro banal que deveria ser evitado. A personagem Chrissie deveria ser a responsável por conduzir o filme e fazer com que o espectador testemunhasse as atrocidades da família através de seus olhos, se vinculando emocionalmente a ela e torcendo para que ela conseguisse salvar seus amigos e (ou ao menos) se salvasse (algo que Jessica Biel, apesar de não ser uma excelência em atuação, conseguiu no filme de Nispel). 

Contudo, sua morte dentro do carro em fuga, vítima do maníaco, chega muito tarde — o filme é tão carente de drama e de horror que todo mundo, incluindo os responsáveis por esse desastre, deveria ter morrido muito antes. 

TRAILER

3 comentários:

Laércio Cunha disse...

Excelente blog, conteúdo de primeira linha, adorei os textos. Vou linkar seu blog na minha lista de recomendados, se puder nos link também e siga nosso blog, abraços cinéfilos!

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Nanda Osbourne disse...

Na minha opinião, achei esse filme exelente tanto esse quanto o remake de 2003, e se vc quer vê carência de drama e horror, e péssima atuações basta assistir O massacre da serra elétrica de 1974, o qual eles falam que é o original, que apesar de ser o "original" não tem emoção alguma de filme de terror, que além do Leatherface ter conseguido pegar as outras 4 vitimas com muita facilidade não vi massacre de serra eletrica nenhum no filme, e fora que a ultima vitima (a Sally) só sabia correr e gritar, não tinha atitude nenhuma ao contrário da Erin, o Leatherface tbm n tinha gás nenhum corria atrás da Sally como se estivesse brincando de pique pega, e fora O massacre da serra elétrica 2 e 3 que conseguiu ser pior ainda, ahhh e com relação o fato da Chrissie ter morrido, filmes de terror são assim as heroínas (ou os heróis) sempre morrem, se não são todos na maioria, porque na verdade eles não são protagonistas, em filmes de terror os protagonistas sempre são os vilões

Rodrigo disse...

Muitos filmes tem coisas sem noção ou mal resolvidas, porém acho que você deveria ver outros filmes como romance ou ficção.
Acho este sensacional tanto que comprei.

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