quinta-feira, 3 de maio de 2012

SPARTACUS (Crítica) Na estante

Ficha Técnica 

Título Original: Spartacus 

Ano do lançamento: 1960 

Produção: EUA 

Gênero: Histórico, Guerra, Romance, Biografia 

Direção: Stanley Kubrick 

Roteiro: Howard Fast, Dalton Trumbo, Calder Willingham, Peter Ustinov 

Sinopse: Spartacus (Kirk Douglas), um homem que nasceu escravo, labuta para o Império Romano enquanto sonha com o fim da escravidão. Ele, por sua vez, não tem muito com o que sonhar, pois foi condenado morte por morder um guarda em uma mina na Líbia. Mas seu destino foi mudado por um lanista (negociante e treinador de gladiadores), que o comprou para ser treinado nas artes de combate e se tornar um gladiador. Até que um dia, dois poderosos patrícios chegam de Roma, um com a esposa e o outro com a noiva. As mulheres pedem para serem entretidas com dois combates até morte e Spartacus escolhido para enfrentar um gladiador negro, que vence a luta mas se recusa a matar seu opositor, atirando seu tridente contra a tribuna onde estavam os romanos. Este nobre gesto custa a vida do gladiador negro e enfurece Spartacus de tal maneira que ele acaba liderando uma revolta de escravos, que atinge metade da Itália. Inicialmente as legiões romanas subestimaram seus adversários e foram todas massacradas, por homens que não queriam nada de Roma, além de sua própria liberdade. Até que, quando o Senado Romano toma consciência da gravidade da situação, decide reagir com todo o seu poderio militar. 

Por Kadu Silva 

Macarthismo foi um movimento iniciado nos Estados Unidos em 1951 pelo senador Joseph McCarthy, esse movimento tinha como finalidade perseguir as pessoas que eram a favor do comunismo, e também as pessoas que realizavam atividades antinorte-americanas. 

Dalton Trumbo roteirista e romancista, e membro do Hollywood Ten, um grupo de profissionais da indústria cinematográfica que testemunhou perante uma comissão parlamentar de inquérito montada em 1947 pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos para averiguar a suposta infiltração de comunistas na indústria de cinema. 

Porque dessas informações acima? Simplesmente por que Spartacus é uma metáfora desse período, onde o roteirista Dalton Trumbo contratado pelo produtor e protagonista do filme Kirk Douglas, utilizou do livro baseado no romance homônimo de autoria de Howard Fast (membro do Partido Comunista, condenado à prisão pelos esbirros do macarthismo), publicado em 1960 para criticar de forma sutil Hollywood e suas obscuras politicas. 

Kirk Douglas bravo por não ter sido escolhido para protagonizar Ben-Hur, escolheu o roteirista e o livro que poderia dar para ele o holofote em um grande épico, sem saber que desse modo criava uma das obras mais contundente contra a politica hollywoodiana da época. 

O filme passou por vários problemas antes de seu lançamento, o diretor que iniciou a produção foi Anthony Mann, que acabou demitido após alguns dias de filmagem, seu substituído foi o até então pouco conhecido Stanley Kubrick. Jean Simmons teve de ser operada de urgência. Kirk Douglas sempre chegava atrasado às gravações. Tony Curtis chegou a ter um pé engessado por ter torcido o tendão de Aquiles jogando tênis com Kirk Douglas além de Dalton Trumbo sempre interferindo em mudanças em diversas passagens do roteiro já com a gravação em andamento. 

Stanley Kubrick como foi contratado, não pode deixar o filme como sua cara, mas é perceptível em muitas características sua mão. Devido a tudo isso, por muitos anos Kubrick não considerava dele esse filme, somente alguns anos mais tarde que ele incluiu em sua filmografia essa obra, que em termos de direção é impecável. 


A trama para quem não conhece é sobre Spartacus (Kirk Douglas) um escravo forte e inteligente que trabalha nas minas de sal e acaba sendo comprado por um mercador (Peter Ustinov) para ser preparado como gladiador. Nesse local acaba conhecendo a escrava Varinia (Jean Simmons) por quem se apaixona e após uma forçada luta entre companheiros para o desfrute de membros do império romano, Spartacus e seus companheiros se revoltam e iniciam uma luta pela liberdade o que vai diretamente contra os interesses romanos. 

A história equilibra muito bem romance, ação, critica politica e tudo isso em escalas épicas. Kubrick contratou mais de 8.500 figurantes para as cenas de lutas, nada era feito pela computação gráfica o que só deixa ainda mais imponente essa produção. 

Kubrick apesar da grande interferência do roteirista e do produtor conseguiu mostrar sua elegante forma de filmar e seu capricho em vários detalhes, mesmo não parecendo realmente algo feito por ele é inegável sua contribuição. 

Um fato curioso do filme foi à cena censura em que Crasso (Laurence Olivier) tenta seduzir Antoninus (Tony Curtis), através de alusões eróticas à diferenciação entre ostras e caracóis. A "Liga de Decência Americana" acabaria por conseguir retirar essa cena da montagem final que foi exibida comercialmente. Na restauração que ocorreu em 1991 a cena foi reposta, mas parte dos diálogos tinham-se perdido. Tony Curtis concordou em gravar de novo a sua parte, mas devido a Laurence Olivier já ter falecido, foi Anthony Hopkins que gravou as falas. 


Mesmo tanto anos depois esse épico politico ainda impressiona visualmente e marca um período em que assim como ocorreu no Brasil, a forma de protestar contra o governo e a politica era em metáforas criativas, e Dalton Trumbo com seu roteiro repleto de diálogos gênias e Stanley Kubrick dirigindo com mãos firmes soube criar uma obra que foi fundamental para a liberdade de expressão dos perseguidos nesse período negro dos Estados Unidos. 

Apesar de não ter todo o vigor criativo e impressionante de outras obras de Stanley Kubrick é uma obra que segura o público do começo ao fim e que mostra um requente na direção de arte, na fotografia, na trilha sonora e nas ótimas interpretações do grande elenco. Sem dúvida vale a pena conferir e reparar como é possível protestar de forma sutil e genial contra o governo e a favor da liberdade de expressão. 

TRAILER

PRÊMIOS 
OSCAR 
Ganhou: Ator Coadjuvante - Peter Ustinov, Direção de Arte, Figurinos e Fotografia. 

Indicações: Montagem e Trilha Sonora. 

GLOBO DE OURO 
Ganhou: Melhor filme de drama 

Indicações: Atores Coadjuvantes Woody Strode e Peter Ustinov, Ator – Drama - Laurence Olivier, Trilha Sonora e Direção.

2 comentários:

Celo Silva disse...

Gostei do texto, Spartacus é um filme que foi relegado por Kubrick, mas mesmo assim, se percebe muito da autoralidade do diretor. Gosto desse filme.
Abração.

Gilberto Carlos disse...

Um grande clássico do cinema que eu ainda não tive a oportunidade de assistir. Preciso fazer isso urgentemente. Abraçoso de www.gilbertocarlos-cinema.blogspot.com

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