sábado, 3 de novembro de 2012

MAGIC MIKE (Crítica)

Por Kadu Silva 
Edição Kadu Silva
Um filme com potencial desperdiçando 

Steven Soderbergh tem em seu currículo obras magníficas, entre elas Traffic e Treze Homem e um novo Segredo, mas foi com seu filme de estreia Sexo, Mentiras e Videotape que ele ganhou a fama que carrega até hoje. Com esse filme de estreia Soderbergh ganhou Cannes e a partir desse momento cada novo filme seu tem grande expectativa do público que acompanha cinema, mas o que vemos principalmente nesses últimos anos são filmes fracos principalmente no que diz respeito a roteiro, a exceção fica para o bom Contágio. 

Quando foi anunciado que Soderbergh iria fazer um filme sobre strippers masculinos muita gente torceu o nariz e muitas outras ficaram ansiosas já que se esperava um filme que mostrasse com profundidade a vida desses garotos. Ao se questionado sobre o porque do tema, o diretor disse que ainda no período em que filmava À toda prova, conversou com Channing Tatum e o ator revelou que foi stripper e que um dia queria contar sua história para um roteirista para filma-la, foi assim que surgiu Magic Mike. 

Channing Tatum então convidou seu amigo Reid Carolin para roteirizar o filme e entrou de cabeça no projeto, se tornando o produtor do longa. 


O roteiro de Reid Carolin não é completamente retrato da vida do ator, foi pego partes importantes de sua história, para a partir delas moldar a trama do filme. Nela conhecemos Mike (Channing Tatum) um stripper de bem com a vida que tem a mulher que quiser, na hora que desejar, mas guarda dentro dele um sonho de abrir seu negocio e confeccionar moveis exclusivos, no entanto devido a crise americana e por seu trabalho principal de stripper não ser registrado tem dificuldade de conseguir empréstimo no banco, mas mesmo assim vai levando a vida, até que conhece Adam (Alex Pettyfer) um jovem imaturo e cheio de problemas, só que Mike vê nele potencial para ser um novo membro do clube e assim Adam se torna stripper. Com isso Mike acaba conhecendo Brooke (Cody Horn) a irmã de Adam, uma jovem conservadora, que vai abalar a vida tranquila de Mike. 

Já pela sinopse, vemos que o roteiro não tinha um bom panorama a ser trilhado, mas o inexperiente roteirista deixa ainda mais raso tudo que vemos, não aprofunda no tema principal que é a vida dos stripper, e mostrando com superficialidade algumas dos problemas que pode sofrer alguém que esteja vivendo assim. Mulheres, drogas, a dificuldade de relacionamento, nada aparece de forma tangível na trama. Sem contar que homossexualismo, prostituição, problema com drogas pesadas e outros distribuídos maiores foram simplesmente ignorado no filme e sem dúvida faz parte do universo desses profissionais, ok talvez a ideia fosse levar um clima familiar e assim ter mais lucro com o filme, mas fica difícil comprar esse cenário montado. 


E tudo ainda fica pior quando a personagem Brooke entra na trama e desconstrói tudo que já havia sido construído do personagem do Mike. Ele ainda no começa da trama mostrava a intenção de mudar de vida, mas em nenhum momento carregava culpa de ter grande parte de seu dinheiro vindo do trabalho de stripper, pelo contrário se mostrava muito bem resolvido e curtia os benefícios que a profissão podia lhe dar. 

O que salva o filme de não ser algo ainda pior é a direção de Soderbergh que sabe muito bem apresentar os personagens no começo do filme. Ele usa de bons enquadramentos e gestos sutis para ir compondo a personalidade e o caráter de cada membro da história. O problema é no roteiro que não deixa o cineasta ir além, mas mesmo assim ele entrou para valer no projeto e além da direção assina a fotografia e a montagem do filme, que por sinal também estão ótimas. 


Já sobre o elenco em sua grande maioria temos ótimas performances dentre elas o incrível Matthew McConaughey que mesmo diminuído no roteiro, rouba a cena toda a vez que aparece. O protagonista leva bem o filme, Channing Tatum é um excelente dançarino e tem um enorme carisma em cena, só precisa melhorar nas cenas dramáticas. Os únicos que ficaram abaixo do esperado é Alex Pettyfer e Cody Horn, ele por não conseguir passar verdade e por não tem o carisma necessário para o personagem e ela por não parece estar a vontade com a personagem e além do mais não tem a menor química com Channing Tatum. O romance dos dois além de mal desenvolvido pelo roteiro não consegue convencer na performance dos atores. 


Em resumo diria que o filme não é a bomba como estão pintando, talvez por quererem desclassificá-lo pelo seu tema, mas também não é uma grande obra, já que o fraco roteiro prejudicou seu bom andamento. Vale apenas como entretenimento e principalmente para as mulherada que está curiosa. Os corpos sarados dançando de forma sensual vai agradar muita gente, mas só isso, infelizmente. 

DESTAQUE 

Para ótima trilha sonora, que apresenta músicas típicas desse universo de baladas e noite e tem seu valor já que as escolhas formam super adequadas. 

SINOPSE 

Mike (Channing Tatum) é um experiente stripper, que está ensinando a um jovem a arte de seduzir as mulheres em um palco, de forma a conseguir delas o máximo possível de benefícios. Ao mesmo tempo que em passa seus conhecimentos para Adam (Alex Pettyfer), começa a se interessar pela a irmã dele, Brooke (Cody Horn). Com o tempo, Adam vai se mostrando cada vez mais confiante e deixa o dinheiro fácil subir na cabeça. Começa a lidar com drogas e a ignorar as pessoas próximas, mas ainda assim contará com a apoio de Mike e Brooke. Dirigido por Steven Soderbergh (Traffic), o longa conta ainda com Matthew McConaughey, Joe Manganiello e Olivia Munn no elenco. 
ELENCO
 Channing Tatum (Mike Martingano)

 Alex Pettyfer (Adam)

 Cody Horn (Brooke)


Joe Manganiello (Big Dick Richie)
DIREÇÃO





Steven Soderbergh
FICHA TÉCNICA 
Roteiro: Reid Carolin 
Título Original: Magic Mike 
Gênero: Drama 
Duração: 1h 50min 
Ano de lançamento: 2012 
Classificação etária: 16 anos 

TRAILER


FILMES RELACIONADOS 
Perdidos na Noite - Ou tudo ou nada - Go Go Tales

2 comentários:

renatocinema disse...

Não curti o trailer e esse é um filme que pela ideia não me atrai.

Quem sabe um dia....mas, é difícil.


abs

Cristiano Contreiras disse...

O tipo de filme que poderia render algo mais provocativo, até mais sexy, é tudo "mostra, mas não mostra" e o roteiro não dá uma reflexão, nem sustenta um contato mais próximo com o elenco já que seus personagens são demais superficiais. Uma pena. Só MacConaughey está inspirado, de fato! abs e adorei seu texto, concordo também.

Related Posts with Thumbnails